terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um conto não-romântico

O som das árvores balançando dominava o lugar. Ele ouvia claramente seus passos no chão, um após o outro.


O sol se escondia por trás das nuvens, mas o dia estava claro. Mais um dia claro na estrada, um após o outro.


Buscava uma direção pra seguir, como vinha fazendo há tanto tempo. Tanto tempo que já nem se lembrava mais. Uma após a outra.


Ainda lembrava dos amigos que fez, aqueles que valiam a pena. Mas eles seguiram o caminho deles, simplesmente não indo à lugar nenhum. Ele acabou por sair da vida deles, quando escolheu a estrada. Amigos novos apareciam e iam embora no seu caminho. Um após o outro.


Ouvia o vento soprar no seu ouvido, e em tudo que o cercava. Aquele vento, a garoa, e sua própria respiração, que vinham e iam embora. Um após o outro.


Ainda podia ver ao longe a última cidade que havia visitado. Uma cidade de povo alegre, talvez numa felicidade ignorante. Mais uma naquela terra desconhecida. Uma após a outra.


Naquela cidade, havia um lugar onde as pessoas se reuniam. Lá ele conheceu uma garota, como as outras das cidades anteriores. Ele nem soube o nome dela. E nem se despediu também. Ela era igual às outras.


Uma após a outra.