quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Primavera... De novo




E então o inverno acabou. O vento mudou, e as árvores se permitiram deixar que as folhas crescessem. Nuvens começaram a ser mais presentes, e as flores das árvores menos tímidas já apareciam. Naquela semana, um belo ipê roxo havia florido no caminho dele.

No caminho dele, e no dela também.

Se perguntou se todos que passavam por ali viam o que ele via. Aquela beleza que selecionava tanto sua época de aparecer, com uma expectativa parecida com a que ele controlava diante das possibilidades que haviam surgido. Quase medo.

Como aquela árvore era bonita. Pensou em chamá-la, levá-la até lá, e simplesmente perguntar: "Você vê o mesmo que eu?"

Se a resposta dela fosse afirmativa, então ele teria certeza: Valeria a pena.

Porém, poesia demais não funciona na vida real. São cores demais, tanto quanto as flores que logo surgiriam nos pequenos bosques da cidade, inclusive perto daquele ipê roxo.

Mas a primavera havia chegado, e a hora era a ideal. De novo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vento

Um forte vento atravessa a janela e invade a sala. A primeira reação é fechá-la, devido ao frio, mas ele se detém. Aguarda. Em poucos segundos, já consegue imaginar que aquele vento traz uma mensagem. Quase podia ouví-la...

Saiu. Do lado de fora, aquela sensação era ótima. A sensação de leveza. De liberdade. Há algum tempo, havia decidido se livrar de pesos passados. Achou que não conseguiria. Acabou sendo mais fácil do que ele pensava.

O ônibus virou a esquina e vinha pela rua. Ele fez o sinal, subiu, pagou, sentou-se. Imediatamente, sentiu falta do vento. Não das coisas que ele carregou consigo, mas da sua vinda. Porém, o vento é passageiro. Ainda que ele descesse do ônibus apenas para sentí-lo de novo, mais cedo ou mais tarde, o vento iria embora, e levaria aquelas decisões, aquelas circunstâncias, com ele. E então, a calma voltaria.

E ele esperaria pelo retorno do vento, das coisas que ele traria, e das coisas que levaria embora.

domingo, 4 de setembro de 2011

Sentidos, Parte 1: Visão

Olhos. Meio e muitas vezes primeiro objetivo, primeiro alvo. Cores não importam, mas sim a atitude, postura, comportamento. Apenas dos olhos, neste caso. Aqui é onde tudo começa. Aqui, muitas vezes, também é onde tudo termina.


O acontecimento inesperado, a visão de alguém que não se esperava encontrar. Simples constatação. Certo? Errado. Uma certa apreensão surge. Os olhos não sabem onde focar, permanecem seguindo a imagem que saía pela porta. Acompanham seus passos, prevem seus movimentos. E com exatidão.

Algo quebra a calmaria. Os olhos prevem mais esse movimento. Haverá um contato visual. A indecisão toma conta dos olhos. O que fazer? Manter a direção, enfrentar, ou fugir?

Olhos nos olhos.