terça-feira, 19 de julho de 2011

Parada Gay

Modernidade é sinônimo de inovação, quebra de tabus e aceitação. Nas últimas décadas, ser homossexual deixou de se tornar um problema e passou a ser apenas uma característica aceita pela grande maioria da sociedade. E é isso que é mesmo. Até aqui, tudo bem. Mas as pessoas confundem às vezes aceitar com favorecer.

A Parada do Orgulho LGBT acontece na cidade de São Paulo há 15 anos. Fruto de uma aparente conquista social, ela vem, na teoria, para disseminar a ideia de aceitação da população homossexual e adjacente, fazendo uso de locais públicos e tendo ainda forte apoio de diferentes esferas governamentais. Não posso dizer com certeza, mas acho que em São Paulo ocorreu a primeira manifestação pública desse tipo, para que então ela se espalhasse pelo Brasil. Porém, a questão que vou tratar nesse texto não é a origem: é a validade.

A Parada Gay acontece no Mês do Orgulho LGBT, um período de várias atividades relacionadas à conscientização e à manifestação pública da homossexualidade e outras opções sexuais diferentes da hétero. A Parada Gay, assim como o Mês do Orgulho LGBT, é financiado principalmente pela prefeitura de São Paulo em conjunto com outras entidades. A prefeitura também cede locais públicos para esse acontecimento.

Agora, vamos às críticas, né? Mas antes que me chamem de homofóbico, tenham a racionalidade de ler até o final.


Começarei por: Dinheiro público.
A participação das várias esferas do governo na conscientização da população é fundamental. Mas o contribuinte ter que pagar a conta de uma festa que não é pra todos, é no mínimo falta de respeito.

Ah, mas ninguém disse que hétero não pode ir à Parada LGBT.

Certo. É um evento público, né. Mas então chama Parada LGBT por quê? Eventos públicos devem visar a disseminação da cultura e a confraternização do povo em geral, não só determinado grupo ou classe social. Um bom exemplo é a Virada Cultural Paulista. É gratuita, tem atrações de diversos tipos e de diversos gostos. É de fato para todos. Diferente da PLGBT.

No que diz respeito ao financiamento desse evento, proponho que ele seja exclusivamente bancado por associações ligadas ao movimento LGBT e pela iniciativa privada, sem dinheiro público.


Segundo: Locais públicos.
A prefeitura de São Paulo também cede locais públicos. Este ano, como todos os outros, o local foi a Avenida Paulista. A realização do evento em locais públicos abertos gera atrito. Este ano, acredito que não foi registrado nenhum caso de agressão física durante o evento, mas a exposição acontece. Outra exposição é a das pessoas que não desejam ter contato com esse evento, seja por autopreservação, ou pela preservação de outros. Vou explicar melhor.
Como hétero, não tenho nenhuma vontade de ir à Parada LGBT, mas isso não significa que não desejo fazer outra atividade no mesmo dia que ela ocorre. Convenhamos que a maioria que participa do evento não o faz de forma discreta, e com a possível mistura de álcool, que há em qualquer festa, não preciso estar exposto a provocações ou manifestações bastante empolgadas de afeto, e quanto a isso, falo de qualquer opção sexual. Falo também da exposição de crianças, que não estão intelectualmente prontas pra lidar com a ideia de relação sexual. Tenho uma irmã mais nova e já passei pela desagradável situação de andar com ela e meu pai pelo centro de São Paulo em dia de Parada LGBT. Ela foi exposta à situações que não tinha idade suficiente pra entender naquele dia.

Ah, mas também né. Era só não sair naquele dia.

Ué, não gostam tanto de falar de direitos? E o meu direito de ir e vir, como fica?

Proponho que a Parada LGBT se torne um evento realizado num local fechado e com acesso restrito a maiores de idade. Em São Paulo, existem vários locais capazes de comportar um público bastante grande. Isso é viável.


Terceiro: Necessidade.
A Parada LGBT diz ter o objetivo de lutar pela igualdade de direitos. Se esse evento realmente buscasse igualdade, ele não existiria.
A Constituição diz que todos os cidadãos são iguais, independente de sexo, cor, religião, opção sexual, etc etc. Então, que igualdade mais há para se consquistar? Se o objetivo é a luta contra o preconceito, nada melhor do que unir ao invés de segregar. Criar manifestações e leis destinadas a um público específico é segregar. That's not the way, fellas.


Enfim, é isso aí.

Fontes:
-Site da Parada LGBT Paulista.

3 comentários:

Jully Vituri disse...

Gostei do texto. E tenho que concordar contigo.

Gabriela disse...

Me desculpa, preciso discordar. Local privado e maiores de 18? E os menores de idade não podem ser homossexuais também, então? E quanto a "situações que não tinha idade suficiente pra entender"... não existe idade para se começar a gerar justiça. Não tem como querer que uma criança não cresça homofóbica achando que ela não deve se relacionar nem ver homossexuais assim... Se o problema é a vulgaridade, você devia protestar contra o carnaval também, além de muitos outros eventos. Totalmente sem nexo.

Heitor Silva disse...

Menores podem ser homossexuais, mas o evento em si carrega a conotação sexual. Seguindo a própria lei federal, esse tipo de exposição não é adequada a menores de idade, ainda que nós saibamos que a mentalidade dessa faixa etária está prematura.
Quanto à crianças mesmo, você parte do princípio que todo homossexual nasce injustiçado e perseguido pela sociedade, o que não é verdade. Existem casos e casos. Eu não defendo que isolem as crianças desse convívio, apenas que isso não seja tratado de forma especial, assim como nenhuma outra característica deve ser. O preconceito é uma ideia, e deve ser combatida como tal, sem incorporar em pessoas ou grupos. Fazendo isso, só se gera mais segregação.