quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pequenas Frações

Composições minúsculas. Nada é rígido ao ponto de não poder ser despedaçado. Nem o físico, nem o abstrato. A matéria é composta de moléculas, átomos, prótons, elétrons, energia. Já o abstrato, é um pouco mais complicado.

Sou composto de divisões. Ideias, gostos, sentimentos, sonhos, desejos. Sou composto de imediatismo, mas também sou composto de futuro. Sou composto de medo, mas também sou composto de espontaneidade. De amor e de egoísmo. Sou mais do que aparento, sou mais do que o que falo e escuto.

Cada detalhe é proveniente de uma combinação genética aliada a uma determinada exposição durante a formação da minha personalidade, relacionados à minha condição humana. Apenas humano.

Arrisco, e tento, e desisto. E sigo humano.

E, acima de tudo, cada detalhe meu tem uma pequena fração de sonho de te ter pra mim.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Parada Gay

Modernidade é sinônimo de inovação, quebra de tabus e aceitação. Nas últimas décadas, ser homossexual deixou de se tornar um problema e passou a ser apenas uma característica aceita pela grande maioria da sociedade. E é isso que é mesmo. Até aqui, tudo bem. Mas as pessoas confundem às vezes aceitar com favorecer.

A Parada do Orgulho LGBT acontece na cidade de São Paulo há 15 anos. Fruto de uma aparente conquista social, ela vem, na teoria, para disseminar a ideia de aceitação da população homossexual e adjacente, fazendo uso de locais públicos e tendo ainda forte apoio de diferentes esferas governamentais. Não posso dizer com certeza, mas acho que em São Paulo ocorreu a primeira manifestação pública desse tipo, para que então ela se espalhasse pelo Brasil. Porém, a questão que vou tratar nesse texto não é a origem: é a validade.

A Parada Gay acontece no Mês do Orgulho LGBT, um período de várias atividades relacionadas à conscientização e à manifestação pública da homossexualidade e outras opções sexuais diferentes da hétero. A Parada Gay, assim como o Mês do Orgulho LGBT, é financiado principalmente pela prefeitura de São Paulo em conjunto com outras entidades. A prefeitura também cede locais públicos para esse acontecimento.

Agora, vamos às críticas, né? Mas antes que me chamem de homofóbico, tenham a racionalidade de ler até o final.


Começarei por: Dinheiro público.
A participação das várias esferas do governo na conscientização da população é fundamental. Mas o contribuinte ter que pagar a conta de uma festa que não é pra todos, é no mínimo falta de respeito.

Ah, mas ninguém disse que hétero não pode ir à Parada LGBT.

Certo. É um evento público, né. Mas então chama Parada LGBT por quê? Eventos públicos devem visar a disseminação da cultura e a confraternização do povo em geral, não só determinado grupo ou classe social. Um bom exemplo é a Virada Cultural Paulista. É gratuita, tem atrações de diversos tipos e de diversos gostos. É de fato para todos. Diferente da PLGBT.

No que diz respeito ao financiamento desse evento, proponho que ele seja exclusivamente bancado por associações ligadas ao movimento LGBT e pela iniciativa privada, sem dinheiro público.


Segundo: Locais públicos.
A prefeitura de São Paulo também cede locais públicos. Este ano, como todos os outros, o local foi a Avenida Paulista. A realização do evento em locais públicos abertos gera atrito. Este ano, acredito que não foi registrado nenhum caso de agressão física durante o evento, mas a exposição acontece. Outra exposição é a das pessoas que não desejam ter contato com esse evento, seja por autopreservação, ou pela preservação de outros. Vou explicar melhor.
Como hétero, não tenho nenhuma vontade de ir à Parada LGBT, mas isso não significa que não desejo fazer outra atividade no mesmo dia que ela ocorre. Convenhamos que a maioria que participa do evento não o faz de forma discreta, e com a possível mistura de álcool, que há em qualquer festa, não preciso estar exposto a provocações ou manifestações bastante empolgadas de afeto, e quanto a isso, falo de qualquer opção sexual. Falo também da exposição de crianças, que não estão intelectualmente prontas pra lidar com a ideia de relação sexual. Tenho uma irmã mais nova e já passei pela desagradável situação de andar com ela e meu pai pelo centro de São Paulo em dia de Parada LGBT. Ela foi exposta à situações que não tinha idade suficiente pra entender naquele dia.

Ah, mas também né. Era só não sair naquele dia.

Ué, não gostam tanto de falar de direitos? E o meu direito de ir e vir, como fica?

Proponho que a Parada LGBT se torne um evento realizado num local fechado e com acesso restrito a maiores de idade. Em São Paulo, existem vários locais capazes de comportar um público bastante grande. Isso é viável.


Terceiro: Necessidade.
A Parada LGBT diz ter o objetivo de lutar pela igualdade de direitos. Se esse evento realmente buscasse igualdade, ele não existiria.
A Constituição diz que todos os cidadãos são iguais, independente de sexo, cor, religião, opção sexual, etc etc. Então, que igualdade mais há para se consquistar? Se o objetivo é a luta contra o preconceito, nada melhor do que unir ao invés de segregar. Criar manifestações e leis destinadas a um público específico é segregar. That's not the way, fellas.


Enfim, é isso aí.

Fontes:
-Site da Parada LGBT Paulista.