sábado, 2 de abril de 2011

Fragilidade

A vida é tão frágil. Por isso, ele se apegava a conceitos. E notou que todos faziam o mesmo. Até que ela chegou, e derrubou quase todos esses conceitos. Como se fosse fácil. Como se fosse de propósito.


Acordou. Ainda estava naquele período que ele já havia previsto que chegaria. Adaptação. De novo.

A situação que se desenrolou já havia uma semana o perturbava como ele já sabia que aconteceria. Mas não se importou. Valia a pena. Sempre valeria a pena. Sim, ele estava cansado do desgaste, das adaptações, da radicalidade com que tinha que controlar seus pensamentos, suas vontades. Mas sempre valeria a pena, enquanto aqueles olhos o olhassem como da primeira vez.

Levantou-se. Havia dormido bastante, mas sentia-se cansado. Emocionalmente cansado. "Até quando?"

Estava muito tarde para tomar café. "Tarde demais", pensou consigo. "Será?"

Acabou por tomar café. Sempre tomou decisões conforme sua vontade e não se prendeu a uma suposta convenção social de horários para refeições. Talvez por isso tivesse engordado nos últimos anos.

Há muito tempo, sabia manter as circunstâncias de sua vida sob controle. Sabia o que fazer, como agir, o que era mais importante e o que não era. Tinha seus planos pros fins de semana bem definidos, sabia se aproximar e sabia se afastar. Só não sabia que tudo isso mudaria.

Já havia um tempo que ele não era mais o mesmo. Via as coisas de uma forma diferente, sabia que as pessoas poderiam surpreendê-lo a qualquer momento. Descobriu que isso não é tão comum assim. Descobriu também que, uma vez que pessoas assim entrassem na sua vida, ele desejaria que nunca saíssem. Descobriu ainda que isso o desgastaria, mas ele se sentiria feliz a respeito. É, ele não era mais o mesmo.


Ela ainda derruba. Como se fosse de propósito.

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E pra quebrar a tensão (mas mantendo-nos no assunto):

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