sábado, 16 de abril de 2011

Bullying: Entre a agressão e o mimimi

Por Mariana Nadai - 08/04/2011


Nas últimas semanas, matérias sobre bullying ganharam destaque na mídia. Notícias sobre o estudante australiano que reagiu aos ataques que sofria na escola, ou da garota que foi agredida por denunciar que sofria bullying em faculdade brasileira e até da adolescente norte-americana que virou sucesso na internet por postar um vídeo mostrando ao mundo seu sofrimento em sala de aula foram exploradas na imprensa do mundo todo.

O tema se tornou tão frequente, que o bullying passou a ser a explicação para diversos tipos de abuso: se não deixaram a adolescente participar de um grupo na sala de aula é porque ela sofre de bullying, chamaram o garoto de nariz de palhaço, ele sofre a violência na escola. E, pior, está tão na moda nomear tudo de bullying, que a mídia tenta justificar atitudes extremas, como a chacina na escola do bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, como uma resposta da possível violência que o assassino teria sofrido na escola.

“Acredito que a imprensa tem que ser mais responsável com o que noticia. Não dá para generalizar e dizer que tudo é bullying, como tem acontecido. Por exemplo, ser ignorado é um tipo de agressão, mas não configuraria essa violência. Mas, infelizmente, hoje generalizam tudo, porque o assunto está na moda”, diz Maria Isabel Leme, psicóloga especialista em Psicologia escolar.

Mas, ao que parece, o momento é de complexidade. Pelo menos para a psicóloga Maria Isabel. “Por mais que pareça exagero, tem que noticiar sim. Há 13 anos eu estudo a violência na escola e, de lá para cá isso só tem piorado. Acho que uma sociedade menos intolerante à violência pode ser bom”, comenta.

Para a psicopedagoga Maria Irene Maluf, existe uma tendência das pessoas em diagnosticar tudo e falar sobre bullying dá muito ibope, por isso o tema é recorrente. “Há um certo exagero da mídia sim. Ficou bonito falar de bullying. As pessoas aprenderam o que é essa violência e, aproveitando que a questão chama muita a atenção, a imprensa acaba taxando tudo de bullying. Isso é muito ruim, porque, entre outras coisas, prejudica o diagnóstico dessa agressão”, afirma.

Maria Irene acredita que muitas vezes a mídia quer forçar a barra para explicar determinadas situações. O caso do homem que matou doze crianças na escola do Rio de Janeiro é um deles. “É uma possibilidade dizer que o atirador matou por conta de bullying, mas também querem forçar um pouco a barra. Não sabemos nada sobre essa pessoa. Isso acontece, pois sempre esperam achar uma resposta para atos impensados, para grandes tragédias”, explica a psicopedagoga.

Bullying é mais do que uma brincadeira de mau gosto
O conceito de bullying é muito amplo, entretanto é possível de ser diagnosticado. “O bullying é muito mais do que o apelido que o seu filho recebe na escola. Se esse apelido ultrapassar a brincadeira, ele pode ser considerado uma ameaça. Quando a criança passa a ser discriminada, humilhada, perseguida por isso, aí é bullying. Se é apenas uma encheção não podemos dizer que é a violência”, diz Maria Irene Maluf.

A psicopedagoga afirma que, em alguns casos, também pode ser considerado bullying a exclusão de uma pessoa dentro da sala de aula. “Entretanto, se um estudante se isola por vontade própria e acaba criando uma inimizade com os demais não podemos considerar como bullying”, diz.


Fonte: Guia do Estudante da Editora Abril

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Arte



Eu não gosto nem do termo em si. "Arte" traz uma conotação de ser aceitável. Se algo é considerado arte, deve ser admirado e respeitado, ainda que não agrade. Essa convenção é estúpida e ridícula.

A arte se define como todo produto que é capaz de causar uma reação. Por essa lógica, tudo é arte. O céu é arte, já que traz uma sensação de grandeza. Um buraco no chão é arte, já que traz uma sensação de perigo. E merda num pote de plástico é arte, já que traz uma sensação de repulsa. Não sou contra a arte. Sou contra usá-la como desculpa pra que qualquer porcaria seja admirada e/ou respeitada.

Os produtos artísticos existem em variadas formas. Inclusive, não precisam ter forma alguma pra serem considerados arte. Entendem minha indignação? Você pode cagar num pote de plástico e dizer que é arte e ainda encontrar adeptos do seu "pensamento artístico" que criarão inúmeras interpretações pra sua merda.

Eu não sou um artista.

sábado, 2 de abril de 2011

Fragilidade

A vida é tão frágil. Por isso, ele se apegava a conceitos. E notou que todos faziam o mesmo. Até que ela chegou, e derrubou quase todos esses conceitos. Como se fosse fácil. Como se fosse de propósito.


Acordou. Ainda estava naquele período que ele já havia previsto que chegaria. Adaptação. De novo.

A situação que se desenrolou já havia uma semana o perturbava como ele já sabia que aconteceria. Mas não se importou. Valia a pena. Sempre valeria a pena. Sim, ele estava cansado do desgaste, das adaptações, da radicalidade com que tinha que controlar seus pensamentos, suas vontades. Mas sempre valeria a pena, enquanto aqueles olhos o olhassem como da primeira vez.

Levantou-se. Havia dormido bastante, mas sentia-se cansado. Emocionalmente cansado. "Até quando?"

Estava muito tarde para tomar café. "Tarde demais", pensou consigo. "Será?"

Acabou por tomar café. Sempre tomou decisões conforme sua vontade e não se prendeu a uma suposta convenção social de horários para refeições. Talvez por isso tivesse engordado nos últimos anos.

Há muito tempo, sabia manter as circunstâncias de sua vida sob controle. Sabia o que fazer, como agir, o que era mais importante e o que não era. Tinha seus planos pros fins de semana bem definidos, sabia se aproximar e sabia se afastar. Só não sabia que tudo isso mudaria.

Já havia um tempo que ele não era mais o mesmo. Via as coisas de uma forma diferente, sabia que as pessoas poderiam surpreendê-lo a qualquer momento. Descobriu que isso não é tão comum assim. Descobriu também que, uma vez que pessoas assim entrassem na sua vida, ele desejaria que nunca saíssem. Descobriu ainda que isso o desgastaria, mas ele se sentiria feliz a respeito. É, ele não era mais o mesmo.


Ela ainda derruba. Como se fosse de propósito.

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E pra quebrar a tensão (mas mantendo-nos no assunto):