sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Saudade

Mais um carro passando na avenida.

Da sacada do seu apartamento, ele observava o movimento da uma da manhã que seria incomum para qualquer um que não vivesse naquela metrópole. Isso o agradava.

A todo minuto, ele repetia aquele momento na sua cabeça. Procurava distrair-se, arrumando coisas para fazer: ''Preciso ir ao banco, preciso comprar uma calça, preciso limpar o banheiro.'' Mesmo assim, aquela visão martelava sua cabeça.

Andando em círculos pelo apartamento, ele ainda sentia aquele cheiro familiar e notou as marcas que as rodinhas da mala dela fizeram no piso de madeira. ''Hm, preciso mandar trocar essa tábua.'', pensou, novamente procurando distração.

Já fazia seis dias que ela havia deixado aquele local. Mas, para ele, cada minuto parecia uma semana. Ele acordava de manhã e abraçava o vazio ao seu lado. Saía para trabalhar olhando o céu, coisas que fizeram várias vezes juntos. Ao voltar para casa, só jantava os pratos que ela mais gostava. No seu tempo livre, pegava seu violão e tocava as músicas que mais a agradavam. Ela se tornou o seu ritmo, o seu sentido, e sem ela, ele não sabia o que fazer.

Ele sabia que sobreviveria, mas até isso acontecer, ele teria que morrer a cada minuto.

No dia seguinte, ela voltou de viagem.

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