sábado, 27 de novembro de 2010

Idealização e Felicidade

Este é um post que eu venho trabalhando faz tempo. Ele levou bastante reflexão e observação pra ser feito. Acredito que seja um dos melhores que eu já fiz :)


Começo falando sobre Idealização. Segundo o Michaelis:

''i.de.a.li.za.ção 1 Ato ou efeito de idealizar. 2 Criação imaginária de normas de ação, no desenvolvimento cultural, tidas como perfeitas e apresentadas como objetivo a ser alcançado na realidade.''


Cara, eu adorei essa definição. A idealização consiste na ''criação imaginária de normas de ação (...) tidas como perfeitas.'' Ou seja, idealizar é ''imaginar'' a realidade. Quem idealiza faz suposições a respeito das pessoas e situações, e com base nisso, define suas atitudes. O problema da idealização é que ela é limitada à nossa noção de realidade, que é influenciada pelos nossos desejos, emoções e percepções do ambiente em volta. São váriáveis demais para que a nossa idealização seja fiel à realidade ou bastante próxima dela.


Segundo o Michaelis:

''fe.li.ci.da.de 1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito.''


Tendo claro que idealização e ilusão são coisas parecidas, é fácil perceber que o desejo de felicidade faz bastante uso dessa idealização. Afinal, todos querem ser felizes. Mas o que me faz feliz não é o mesmo que faz você feliz, ou algum amigo meu, ou o meu cachorro. São felicidades diferentes, por assim dizer. Portanto, para definir como seremos felizes e quais serão nossas ''normas de ação'' para atingir tal objetivo, temos que imaginar nossa felicidade. Daí vem nossa idealização.


Só que, como já foi dito, nossa idealização frequentemente erra. E quando percebemos isso, sofremos. Seja por amor, por amizade, por carreira, etc. Nós negamos que estamos errados, afinal, não estava tudo definido? Não. Não estava. Você idealizou, e mais cedo ou mais tarde, ia acabar batendo de cara com a realidade. E ela é dura.


Combater a idealização é impossível. Sempre formamos conceitos sobre tudo que conhecemos (ou achamos conhecer), e a partir daí, idealizações acontecem. No entanto, podemos sempre tentar evitá-la, sendo realistas e perspicazes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Atraso

Hm... Que cheiro é esse? Parece... Baunilha. É bom...

Logo em seguida abri os olhos. Acordei. Senti um conforto ótimo. O sol entrava discreto pelas cortinas e o dia estava terminando. Olhei para o relógio... Ahn?! SETE E MEIA??? COMO PODERIAM SER SETE E MEIA??? Eu tinha colocado o relógio pra despertar! Dei um pulo da cama e corri pro banheiro. Meu cabelo tava uma bagunça! ''Nunca mais durmo à tarde!.'' Um banho? ''Ah, acho que não preciso. Mas e se ela perceber? Pode pensar que sou relaxado. Tá, um banho bem rápido então.'' A água estava muito gelada, o chuveiro havia queimado. ''Merda!'' Pelo menos o banho foi rápido. Procurei a calça que eu havia separado a semana toda. ''Onde está?'' O cachorro havia feito xixi nela. ''Filho da puta!'' Peguei uma outra que estava amassada. ''Vai ter que ser essa...'' Terminei de me vestir e saí correndo. Esqueci que a porta de entrada do prédio tem um defeito pra abrir. ''Ai, meu nariz!'' Saí sem olhar e de repente passa um ciclista e tromba comigo. ''Olha por onde anda, infeliz!'' Continuo indo rápido, agora mancando e com uma das mãos verificando se o nariz estava sangrando. Nada. 'Que bom.'' Pensei em pegar onibus, mas lembrei que estava atrasado. Fui ao ponto de táxi. Nenhum. Resolvi ir até o outro ponto, que ficava três quarteirões ladeira acima. Superei a dor na perna e fui. Cheguei lá, havia um. ''Que sorte!'' Assim que abri a porta do táxi, aparece uma senhora com uma criança pequena. ''Que pena, vamos esperar o próximo.'' Minha educação não me permite. ''Minha companheira entenderá. A senhora pegue este.'' Ela respondeu. ''Obrigada, você é muito gentil.'' Sou gentil mas continuava atrasado. Resolvi ir andando mesmo. O local ficava a uma certa distância, mas era possível ir andando. Se eu esperasse outro táxi, poderia demorar mais. O tempo parecia bom. Infelicidade minha. Maldita umidade. ''O tempo virou de forma surpreendente no fim do dia devido à grande quantidade de umidade no ar'', diria o jornal mais tarde, naquele mesmo dia. Heroicamente, caminhei dez quarteirões debaixo de chuva. ''Ela vai me mandar embora e só ligar de novo daqui a cinco meses.'' Eu estava a um quarteirão do local onde havia marcado meu compromisso, faltando dois minutos para o horário. Apesar de todos os obstáculos, eu ia conseguir. De forma heróica e impressionante, eu ia conseguir. Olhei para o céu, como se desafiasse alguma entidade divina que fosse responsável por tudo aquilo. Então tudo apagou.


Hm... Que cheiro é esse? Parece... Baunilha. É bom...

Logo em seguida abri meus olhos. Acordei. Ela estava ao meu lado.

-O que está fazendo aqui?

Ela fala comigo, com alívio nos olhos.

-Você foi atropelado...

Eu não me conformo. Eu estava quase lá...

-Mas eu ia conseguir...
-Conseguir o quê, querido?
-Te ver no horário.
-Me ver? Mas nós tínhamos marcado pra semana que vem...


sábado, 13 de novembro de 2010

Uma Carta

São Paulo, 27 de Outubro de algum ano no futuro próximo...


Olá!

Não acredito que consegui seu endereço! Acredita que as escolas realmente mantém nossos registros guardados? Eu fiquei impressionada! E a partir desse endereço consegui te rastrear, pela sua família.

Faz muito tempo desde a última vez que nos vimos, né? Sinto saudades daquele tempo. Nós costumávamos fazer as mesmas coisas todos os sábados, com a turma... E era sempre bom estar com você. Lembra daquela vez que nos perdemos? Hahahaha, cheguei em casa 6 da manhã, minha mãe ficou louca! E ainda teve aquele dia que seu pai nos pegou no sofá... Nunca passei tanta vergonha na minha vida. Sinto saudades daquele tempo...

Depois você foi fazer o intercâmbio e nunca voltou. Eu achei que morreria sem você. Mas eu descobri que a vida segue... E que as coisas mudam.

Acho muito legal você morar no Canadá. Foi longe, hein? Hahaha. Ainda vejo algumas pessoas da nossa turma de vez em quando, mas é mais difícil, com a faculdade. Falando nisso, daqui a um mês é a minha formatura, não sei se seria pedir demais... Mas eu gostaria que você viesse. Assim poderíamos nos rever, você poderia rever a turma. O Léo agora mora em Porto Alegre, e a Jú foi pra Alemanha. Sinto saudades demais dela, sempre foi minha melhor amiga, né. O Pedro morreu num acidente de carro, foi muito triste. Foi há três anos. Ah, a Regina e o Lucas casaram, acredita? Quem diria, né, hahahaha.

Enfim... Apesar de que éramos muito novos e faz tempo, quase 10 anos, né... Eu não posso negar que ainda tenho uma queda boba de criança por você. Nós ficamos juntos mais de dois anos, alguma coisa significava.

Bom, fiz o convite e te deixei a par das novidades. Me responda, viu?

Com muitas saudades, e sempre um pouco sua,
Vanessa.



Obs: Sim, resolvi tentar fazer um conto de novo. O último foi ridículo, e gostaria de críticas pra esse. Podem comentar ou me contactar pelo twitter (@heitorpas). Obrigado.

domingo, 7 de novembro de 2010

Omissão

''O mundo é assim mesmo.''


Se você pensa de acordo com a frase acima, por favor, leia esse post, reflita e divulgue. Omissão é o tema deste post. E talvez seja o texto mais importante que eu já tenha feito.


Hoje teve Parada Gay na minha cidade. Adivinhem no que deu? Crianças de 13 anos caindo, passando mal, de bêbadas.

Todos sabemos dos casos de vício de crack que estão acontecendo por todo o país.

Onde está a nossa mobilização? Onde está a nossa atitude?


Nós somos a geração que deve mobilizar. Somos nós que temos influência sobre a sociedade. Precisamos mostrar que a vida é uma loucura por si só, e que deve ser aproveitada conscientemente. Que isso de se drogar, de se embebedar pra ''curtir'', é coisa de gente fraca. Precisamos mostrar que diversão independe de qualquer substância química. E precisamos conscientizar em prol da valorização da vida humana. Pela diversão saudável.


''O que me incomoda não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.''