segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mar

Ela forçava sua vista até onde conseguia, como se procurasse alguma figura no horizonte. Porém, quanto mais ela tentava, mais se sentia isolada.

Ali naquela areia úmida, ela procurava entender a indecisão do mar. ''Por que ele vai e volta? Ele precisa se decidir.''

Era como se ela sentisse o sofrimento do mar. Queria e tentava chegar à praia, abraçá-la e tê-la pra si, mas não conseguia. Ele era fraco demais pra manter-se junto dela, ou ela que não o aceitava? ''Ele devia desistir'', pensava. Mas o mar não desistia. Continuava vindo e voltando, horas com mais força, horas mais fraco. Como se ele sentisse a frustração, mas soubesse que não podia desistir.

Ela se via no mar. Tentava alcançar algo que ao mesmo tempo parecia definido e impossível. Maravilhoso e angustiante. Próximo e inalcançável.

Aquela sensação aliada ao local onde estava a lembrou da conhecida metáfora dos castelos de areia. Construímos nossos sonhos e objetivos como castelos de areia, pois são frágeis, e podem desabar a qualquer momento. Ela havia desistido de construir castelos de areia há muito tempo. Mas agora as coisas eram diferentes. O mar estava chegando aos seus pés. Se ele podia chegar mais longe, ela também podia, certo?

Ela olhou novamente para o horizonte, mas dessa vez, ao invés de olhar vagamente, ela tinha um objetivo.

Em 2010...

...não soube o que fazer
...não quis me apegar
...fui num show incrível (Dream Theater - São Paulo)
...me desiludi
...desiludi outras pessoas
...não bebi, como sempre
...não dei muitos rolês
...não me esforcei tudo que eu podia
...conheci várias pessoas legais
...reformei e recomecei esse blog
...não valorizei pessoas que mereciam esse valor
...valorizei pessoas que não mereciam esse valor
...fui valorizado sem merecer
...fui desvalorizado sem merecer
...confundi sentimentos
...fiz os outros confundirem sentimentos
...fiz grandes amizades
...mantive as antigas amizades
...e terminei o ano amando. E sendo correspondido.


Até que me dei bem, né?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Saudade

Mais um carro passando na avenida.

Da sacada do seu apartamento, ele observava o movimento da uma da manhã que seria incomum para qualquer um que não vivesse naquela metrópole. Isso o agradava.

A todo minuto, ele repetia aquele momento na sua cabeça. Procurava distrair-se, arrumando coisas para fazer: ''Preciso ir ao banco, preciso comprar uma calça, preciso limpar o banheiro.'' Mesmo assim, aquela visão martelava sua cabeça.

Andando em círculos pelo apartamento, ele ainda sentia aquele cheiro familiar e notou as marcas que as rodinhas da mala dela fizeram no piso de madeira. ''Hm, preciso mandar trocar essa tábua.'', pensou, novamente procurando distração.

Já fazia seis dias que ela havia deixado aquele local. Mas, para ele, cada minuto parecia uma semana. Ele acordava de manhã e abraçava o vazio ao seu lado. Saía para trabalhar olhando o céu, coisas que fizeram várias vezes juntos. Ao voltar para casa, só jantava os pratos que ela mais gostava. No seu tempo livre, pegava seu violão e tocava as músicas que mais a agradavam. Ela se tornou o seu ritmo, o seu sentido, e sem ela, ele não sabia o que fazer.

Ele sabia que sobreviveria, mas até isso acontecer, ele teria que morrer a cada minuto.

No dia seguinte, ela voltou de viagem.

sábado, 27 de novembro de 2010

Idealização e Felicidade

Este é um post que eu venho trabalhando faz tempo. Ele levou bastante reflexão e observação pra ser feito. Acredito que seja um dos melhores que eu já fiz :)


Começo falando sobre Idealização. Segundo o Michaelis:

''i.de.a.li.za.ção 1 Ato ou efeito de idealizar. 2 Criação imaginária de normas de ação, no desenvolvimento cultural, tidas como perfeitas e apresentadas como objetivo a ser alcançado na realidade.''


Cara, eu adorei essa definição. A idealização consiste na ''criação imaginária de normas de ação (...) tidas como perfeitas.'' Ou seja, idealizar é ''imaginar'' a realidade. Quem idealiza faz suposições a respeito das pessoas e situações, e com base nisso, define suas atitudes. O problema da idealização é que ela é limitada à nossa noção de realidade, que é influenciada pelos nossos desejos, emoções e percepções do ambiente em volta. São váriáveis demais para que a nossa idealização seja fiel à realidade ou bastante próxima dela.


Segundo o Michaelis:

''fe.li.ci.da.de 1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito.''


Tendo claro que idealização e ilusão são coisas parecidas, é fácil perceber que o desejo de felicidade faz bastante uso dessa idealização. Afinal, todos querem ser felizes. Mas o que me faz feliz não é o mesmo que faz você feliz, ou algum amigo meu, ou o meu cachorro. São felicidades diferentes, por assim dizer. Portanto, para definir como seremos felizes e quais serão nossas ''normas de ação'' para atingir tal objetivo, temos que imaginar nossa felicidade. Daí vem nossa idealização.


Só que, como já foi dito, nossa idealização frequentemente erra. E quando percebemos isso, sofremos. Seja por amor, por amizade, por carreira, etc. Nós negamos que estamos errados, afinal, não estava tudo definido? Não. Não estava. Você idealizou, e mais cedo ou mais tarde, ia acabar batendo de cara com a realidade. E ela é dura.


Combater a idealização é impossível. Sempre formamos conceitos sobre tudo que conhecemos (ou achamos conhecer), e a partir daí, idealizações acontecem. No entanto, podemos sempre tentar evitá-la, sendo realistas e perspicazes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Atraso

Hm... Que cheiro é esse? Parece... Baunilha. É bom...

Logo em seguida abri os olhos. Acordei. Senti um conforto ótimo. O sol entrava discreto pelas cortinas e o dia estava terminando. Olhei para o relógio... Ahn?! SETE E MEIA??? COMO PODERIAM SER SETE E MEIA??? Eu tinha colocado o relógio pra despertar! Dei um pulo da cama e corri pro banheiro. Meu cabelo tava uma bagunça! ''Nunca mais durmo à tarde!.'' Um banho? ''Ah, acho que não preciso. Mas e se ela perceber? Pode pensar que sou relaxado. Tá, um banho bem rápido então.'' A água estava muito gelada, o chuveiro havia queimado. ''Merda!'' Pelo menos o banho foi rápido. Procurei a calça que eu havia separado a semana toda. ''Onde está?'' O cachorro havia feito xixi nela. ''Filho da puta!'' Peguei uma outra que estava amassada. ''Vai ter que ser essa...'' Terminei de me vestir e saí correndo. Esqueci que a porta de entrada do prédio tem um defeito pra abrir. ''Ai, meu nariz!'' Saí sem olhar e de repente passa um ciclista e tromba comigo. ''Olha por onde anda, infeliz!'' Continuo indo rápido, agora mancando e com uma das mãos verificando se o nariz estava sangrando. Nada. 'Que bom.'' Pensei em pegar onibus, mas lembrei que estava atrasado. Fui ao ponto de táxi. Nenhum. Resolvi ir até o outro ponto, que ficava três quarteirões ladeira acima. Superei a dor na perna e fui. Cheguei lá, havia um. ''Que sorte!'' Assim que abri a porta do táxi, aparece uma senhora com uma criança pequena. ''Que pena, vamos esperar o próximo.'' Minha educação não me permite. ''Minha companheira entenderá. A senhora pegue este.'' Ela respondeu. ''Obrigada, você é muito gentil.'' Sou gentil mas continuava atrasado. Resolvi ir andando mesmo. O local ficava a uma certa distância, mas era possível ir andando. Se eu esperasse outro táxi, poderia demorar mais. O tempo parecia bom. Infelicidade minha. Maldita umidade. ''O tempo virou de forma surpreendente no fim do dia devido à grande quantidade de umidade no ar'', diria o jornal mais tarde, naquele mesmo dia. Heroicamente, caminhei dez quarteirões debaixo de chuva. ''Ela vai me mandar embora e só ligar de novo daqui a cinco meses.'' Eu estava a um quarteirão do local onde havia marcado meu compromisso, faltando dois minutos para o horário. Apesar de todos os obstáculos, eu ia conseguir. De forma heróica e impressionante, eu ia conseguir. Olhei para o céu, como se desafiasse alguma entidade divina que fosse responsável por tudo aquilo. Então tudo apagou.


Hm... Que cheiro é esse? Parece... Baunilha. É bom...

Logo em seguida abri meus olhos. Acordei. Ela estava ao meu lado.

-O que está fazendo aqui?

Ela fala comigo, com alívio nos olhos.

-Você foi atropelado...

Eu não me conformo. Eu estava quase lá...

-Mas eu ia conseguir...
-Conseguir o quê, querido?
-Te ver no horário.
-Me ver? Mas nós tínhamos marcado pra semana que vem...


sábado, 13 de novembro de 2010

Uma Carta

São Paulo, 27 de Outubro de algum ano no futuro próximo...


Olá!

Não acredito que consegui seu endereço! Acredita que as escolas realmente mantém nossos registros guardados? Eu fiquei impressionada! E a partir desse endereço consegui te rastrear, pela sua família.

Faz muito tempo desde a última vez que nos vimos, né? Sinto saudades daquele tempo. Nós costumávamos fazer as mesmas coisas todos os sábados, com a turma... E era sempre bom estar com você. Lembra daquela vez que nos perdemos? Hahahaha, cheguei em casa 6 da manhã, minha mãe ficou louca! E ainda teve aquele dia que seu pai nos pegou no sofá... Nunca passei tanta vergonha na minha vida. Sinto saudades daquele tempo...

Depois você foi fazer o intercâmbio e nunca voltou. Eu achei que morreria sem você. Mas eu descobri que a vida segue... E que as coisas mudam.

Acho muito legal você morar no Canadá. Foi longe, hein? Hahaha. Ainda vejo algumas pessoas da nossa turma de vez em quando, mas é mais difícil, com a faculdade. Falando nisso, daqui a um mês é a minha formatura, não sei se seria pedir demais... Mas eu gostaria que você viesse. Assim poderíamos nos rever, você poderia rever a turma. O Léo agora mora em Porto Alegre, e a Jú foi pra Alemanha. Sinto saudades demais dela, sempre foi minha melhor amiga, né. O Pedro morreu num acidente de carro, foi muito triste. Foi há três anos. Ah, a Regina e o Lucas casaram, acredita? Quem diria, né, hahahaha.

Enfim... Apesar de que éramos muito novos e faz tempo, quase 10 anos, né... Eu não posso negar que ainda tenho uma queda boba de criança por você. Nós ficamos juntos mais de dois anos, alguma coisa significava.

Bom, fiz o convite e te deixei a par das novidades. Me responda, viu?

Com muitas saudades, e sempre um pouco sua,
Vanessa.



Obs: Sim, resolvi tentar fazer um conto de novo. O último foi ridículo, e gostaria de críticas pra esse. Podem comentar ou me contactar pelo twitter (@heitorpas). Obrigado.

domingo, 7 de novembro de 2010

Omissão

''O mundo é assim mesmo.''


Se você pensa de acordo com a frase acima, por favor, leia esse post, reflita e divulgue. Omissão é o tema deste post. E talvez seja o texto mais importante que eu já tenha feito.


Hoje teve Parada Gay na minha cidade. Adivinhem no que deu? Crianças de 13 anos caindo, passando mal, de bêbadas.

Todos sabemos dos casos de vício de crack que estão acontecendo por todo o país.

Onde está a nossa mobilização? Onde está a nossa atitude?


Nós somos a geração que deve mobilizar. Somos nós que temos influência sobre a sociedade. Precisamos mostrar que a vida é uma loucura por si só, e que deve ser aproveitada conscientemente. Que isso de se drogar, de se embebedar pra ''curtir'', é coisa de gente fraca. Precisamos mostrar que diversão independe de qualquer substância química. E precisamos conscientizar em prol da valorização da vida humana. Pela diversão saudável.


''O que me incomoda não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.''


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Lutar ou Fugir?

A situação é complicada. Que opção você escolhe?


Com certeza quase todos adorariam dizer que preferem lutar. Mas na realidade, nós preferimos fugir, ou nos esconder, e esperar passar. Principalmente se vemos que o desafio é demasiado difícil, e podemos nos livrar dele poupando nossa energia. Qual a vantagem de ''combater, despender forças sobre''¹, se nos escondendo o risco é muito menor?

''Mas que risco exatamente?''

Todos que você puder imaginar. Risco de se machucar. De morrer. De se decepcionar. De se apegar. De sofrer. Talvez, até o risco de gostar.

Então, nos escondemos. E nos tornamos estranhos uns para os outros. ''Pare de me olhar, pare de me olhar.'' Nós nos isolamos, sem saber das contribuições que podemos fazer uns para os outros. De amizade, de amor, de consciência, de apoio, até de rivalidade.

Você já tentou olhar nos olhos de um desconhecido na rua? E se já, quantas vezes você recebeu o olhar de volta?


¹: Michaelis Online.

sábado, 16 de outubro de 2010

Olhares e Sorrisos

Participação especial de Felipe Francisco. O texto antes do traço é de autoria dele. O posterior é meu.


Olhos são como prisões sem celas.

Parecem fácil de se escapar mas a liberdade está tão distante quanto o fim de um abismo.

Talvez não tenha passado por isso ainda, mas você sabe quando se apaixona por alguém apenas por olhar em seus olhos. Não tem como escapar, inevitável. Começa a conversar, começa a discutir e talvez até a namorar. Maravilhoso encanto de uma paixão... amor.

Amor a primeira vista? Talvez sim, não precisei conhecê-la para saber que era alguém diferente dos outros. Admirava sua notável de agitação, como seu sorriso aparecia em seus frágeis lábios, na sua voz que ecoava pelos ouvidos e também pelo seu jeito delicado em se aproximar das pessoas.

"Oi". Joelhos sem força perante o olhar caramelado de uma mulher. O chão não existia mais sobre meus pés, o encanto... "Oi".

Bastou para prender-me, talvez para sempre, numa emoção indescritível e muito semelhante a um verdadeiro "Eu te amo".

Contudo, todo abismo tem seu fim, e quem sabe nos resta uma chance de chegarmos a liberdade? Ou talvez eu prefira cair eternamente perdido nos brilhos de teus olhares castanhos. E sem fim.

Felipe Francisco.



Sorrisos. Simpatia. Um bom sorriso atrai as pessoas. Uma atração que não diz respeito à beleza. Mas à essência. Ao interior. Um sorriso, assim como um olhar, é uma janela para o interior da pessoa. Uma porta de entrada. ''Conheça-me.''

Quando vi aquele sorriso, as coisas desapareceram à minha volta. Admito, havia reparado no corpo dela antes, mas ela estava à distância e de costas. Foi quando ela se aproximou que as cores mudaram, vinham, voltavam, se misturavam, se confundiam. Meus olhos não focavam direito. Levei um tempo pra coordenar meu corpo para beijá-la no rosto, quando ela me surpreendeu com um abraço. Tive reflexo de abraçá-la sem que parecesse que fui surpreendido. Eu conseguia ouvir meu coração. Não sei se ela percebeu. Só sei que eu não me importava. Enquando eu a abraçasse, nada importaria.

Várias características dela eram opostas ao que costuma me atrair. O que só me fazia gostar dela ainda mais. Mas o sorriso com certeza foi o que iniciou tudo. Maldito sorriso.

Eu gostava do jeito delicado dela de andar, de falar, de pegar na minha mão... de me abraçar. Parece pouco, um toque de mãos, dedos entrelaçados, alheios aos acontecimentos ao redor, como uma peça no lugar errado, um musicista que se atrapalhou na hora que a orquestra se posicionou, mas que a melodia que ele produziu coube muito bem no espetáculo. E, subitamente, ele se deu conta. E seu instrumento parou de tocar. E tudo desmoronou, e se perdeu no infinito daquele olhar, e daquele sorriso.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Presidente Prudente - SP

Percebi que vários leitores meus não moram próximos de mim. Por isso, resolvi fazer um post sobre a cidade onde moro. :)



Cruzamento das Avenidas Brasil e Washington Luiz

O município de Presidente Prudente foi fundado em 14 de Setembro de 1917. Atualmente o município tem aproximadamente 210 mil habitantes. A cidade é promissora, considerada uma das melhores do estado de São Paulo para se trabalhar, mas devido a problemas de má gestão, sofre hoje com crescentes problemas de trânsito, violência e miséria.


Um pouco de História

O município foi fundado pelo Coronel Francisco de Paula Goulart. As posses por todo o interior do estado de São Paulo foram marcadas pela grilagem, posse ilegal de terras através de escrituras forjadas. O munícipio surgiu e cresceu pela crescente exploração do café, milho e algodão no século XX.


Um pouco de Geografia

Presidente Prudente localiza-se no sudoeste de SP, e à aproximadamente 570 km da capital do estado. A região administrativa da qual a cidade é pólo econômico é a com o maior número de penintenciárias do estado. Localiza-se a 475 metros acima do nível do mar. A região tem como característica climática a continentalidade, o que faz com que a média da umidade relativa do ar seja baixa, portanto, os dias são quentes e as noites são frias, se comparados ao litoral. Os invernos são secos e frios e os verões são quentes e chuvosos, graças às massas de ar polares e tropicais. Por duas vezes na história da cidade, em 1975 e 2000, nos períodos de seca, foram registradas temperaturas de 0º ou menos. Isso acontece justamente por causa da continentalidade. Presidente Prudente também tem um grande número de universidades, caracterizando o município também como pólo acadêmico.

Taxa de alfabetização: 98%
IDH: 0,846


Um pouco de Economia

As atividades econômicas da cidade e da região abrangem todos os três setores econômicos. A agropecuária é presente, principalmente pela produção de cana e pelos rebanhos de gado. Também há  pequenos produtores de culturas variadas.
Também há forte presença de indústrias. Segundo os registros da Prefeitura, existem mais de 440 indústrias no município. Cerca de 58% das indústrias associadas à Fiesp/Ciesp estão no município.
O setor de serviços também é bastante presente. Como pólo econômico da região, Presidente Prudente detém grande parte dos estabelecimentos deste setor.


Um pouco sobre Qualidade de Vida

O IDH da cidade caracteriza-a como uma cidade elevada no quesito qualidade de vida. E não é sem motivo. A taxa de alfabetização é quase 100% (dados Secretaria de Educação 2008), toda a população tem energia elétrica (dados Caiuá 2008) e todo o esgoto é coletado e tratado (dados Sabesp 2009). Porém, devido a problemas de gestão, surgiu uma pequena parcela da população abaixo da linha da pobreza. Os problemas de metrópole ainda são muito discretos e inexpressivos no município, mas sem planejamento, podem ficar sem controle em poucos anos.


Fontes:
-http://pt.wikipedia.org/wiki/Presidente_Prudente
-http://www.presidenteprudente.sp.gov.br



Bom, galera, é isso aí. Um resumo básico e algumas informações sobre a cidade onde eu moro. Se quiserem saber mais, comentem ou me contactem pelo twitter: http://twitter.com/heitorpas. Obrigado.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Mudança

Ouçam: The Spring and the Flight - Lyriel




E então veio a primavera. E o brilho. O os novos ares. Um cheiro diferente era trazido pela leve brisa. Ele sentia a mudança vindo. Só não sabia quando, nem como.

Naquele dia, ele estava bastante pensativo. Ele ansiava pela mudança. Repassava na sua cabeça todos os caminhos, todas as possibilidades.

Ele passou na faculdade. Encontrou uma garota. Eles fizeram no banco de trás do carro. Foi trabalhar no que o agradava. Foi muito feliz trabalhando. Casou-se. Teve uma filha. Ela era muito bonita e com o passar dos anos, se mostrou também muito inteligente. Ele a ensinou tudo que pôde. Ele a criou com muito amor. Ela cresceu. Começou a amadurecer. Já era uma adulta. Ela tinha suas próprias opiniões. Ele se orgulhava disso. Ela saiu de casa. A vida dele ficou um pouco vazia. Sua esposa o confortou. Ele foi feliz até o fim dos dias.


Então ele abriu os olhos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Coisas da Maturidade Incompleta

(Quando você não é criança, mas também não é um adulto completo)


É fácil perceber as intenções das pessoas pela linguagem corporal e tom de voz; você percebe rapidamente quando alguém está se fazendo; commpromisso deixa de ser o ponto mais alto possível da sua vida amorosa; você percebe que todas as suas decisões têm motivações ou financeiras ou sexuais; apesar de nem sempre ser assim, você sente que sua liberdade é ilimitada; você explora todas as oportunidades que aparecem e isso às vezes complica sua vida, mas você não se sente mal por isso; você procura sentido em todas as coisas; você entende melhor coisas que você não entendia antes; seu gosto musical passa a ser mais receptivo; seu senso crítico se torna mais afiado e mais consciente; sua percepção se torna mais afiada, assim como a sua intuição; você percebe o valor da amizade na sua vida e o quanto você superestimava o valor de um compromisso; você jura pra você mesmo nunca mais superestimar ninguém; se ninguém te entendia antes, agora não está melhor; dia após dia você luta pra não fazer aquela loucura que você tanto quer fazer; ficar bêbado não tem mais tanta graça, você quer fazer as loucuras da sua própria vontade; ninguém te manipula mais; você já não evita as aproximações dos outros, conversar não machuca; você já não ri de coisas que antes você considerava ''o seu tipo de humor''.


Nada mais me ocorre no momento. Se algo de interessante vier, ou se vocês tiverem sugestões, comentem ou me contactem pelo twitter: @heitorpas. Obrigado :)


Essa é apenas a minha visão.


Obs: Esses dias, eu e a minha inteligente amiga Mayara (@mayaragabaldi) começamos um novo blog. É um projeto ainda em desenvolvimento, mas gostaria muito do apoio de vocês. O link é Plástico Inoxidável.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mediocridade

Esse post faz um paralelo com alguns posts anteriores.


Nada segura mais a humanidade do que a mediocridade. O ''pequenismo'' mental, por assim dizer. A falta de vontade de conhecer, de ir além, de ousar, de querer mais.
A mediocridade surge do não-encorajamento e do não-desenvolvimento mental. Se a pessoa não se desenvolve como ser humano, tende a ser mesquinho, egocêntrico e medíocre. Explicarei como esse processo se dá e quais as consequências.


A família e a escola são as responsáveis por desenvolver o indivíduo. Se a família não tem essa consciência e a escola não tem um trabalho que valorize isso, a pessoa fica com esse ''pequenismo mental'' e nunca pensará no plano maior.


Que meus concidadãos me perdoem, mas aqui no interior do estado isso é muito comum. As pessoas aqui estudam, fazem uma faculdade qualquer, casam e passam a vida cuidando de filho e pra eles só isso tá bom demais, é o limite da vida. Eles não pensam em fazer diferença, em ir além. Não valorizam nenhum tipo de consciência, seja ela cultural, social, política... É deprimente.


As consequências desse tipo de mediocridade são: o surgimento de ''movimentos'' patéticos, a maioria de cunho musical, tais como burguês-rock (leia-se Restart), sertanejo, por aí vai; inconsciência política, como já foi dito, que implica irresponsabilidade (inclusive desinteresse) em participar das decisões políticas, como as eleições¹; a manutenção dos problemas da sociedade, afinal, se não há interesse, não tem mudança; entre outros.


Acho que, como sempre tento ser, fui bem claro e objetivo nesse post. Qualquer dúvida ou coisas que queiram falar comigo, fiquem a vontade pra comentar, os comentários são abertos a todos. Obrigado por lerem :D

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Obstáculos e Limites

''Cara... Não pode ser tão difícil. Olha só, essa cerca nem é alta. Não é nem da minha altura. Deve ter 1,20m no máximo. Então por que parece inalcançável?''


Segundo o Michaelis:

''obs.tá.cu.lo
sm (lat obstaculu) 1 Tudo o que obsta a alguma coisa; embaraço, estorvo, impedimento. 2 Barreira: Saltar obstáculos. 3 Fís O que resiste a uma força.''

''li.mi.te
sm (lat limite) (...) 2 Ponto ou linha terminal além dos quais cessa a continuidade. (...) 5 Extremo, fim, termo. (...) 7 Alcance máximo ou mais distante de um esforço. 8 Ponto máximo que qualquer coisa não pode ou não deve ultrapassar (...)''


Até que ponto uma dificuldade deixa de ser um obstáculo e passa a ser um limite? Até que ponto algo deixa de ser um ''embaraço'', um ''estorvo'', e passa a ser um ''fim, um ''ponto além do qual cessa a continuidade''? Como posso ter certeza de que o meu caminho dará resultados?


Atualmente tenho me deparado com vários ''impedimentos'' (é como chamarei ambos obstáculos e limites nesta postagem, justamente por não saber definí-los com clareza na minha vida). Coisas da vida. Coisas que várias pessoas colocam fé em mim de serem apenas obstáculos; mas e se a minha própria fé em mim não é tão segura assim?


É muito frustrante falhar diante de algo que você considerava um obstáculo. Quando você falha nessas circunstâncias, mesmo após um esforço o qual você se considerava incapaz, significa que aquele impedimento é um limite. Você nunca o atravessará. Conforme-se.


É igualmente frustrante quando eles dizem respeito tanto à realização pessoal quanto à decidir o seu futuro. Porém, no primeiro, o que dói é a insegurança. No segundo, o que dói é o orgulho.


O pensamento do ínicio do post me ocorreu ontem de manhã, quando ia para o cursinho. Passei em frente à Unesp. Aquela cerca nunca pareceu tão alta. Ainda mais eu, que nunca fui do tipo simbolista, ter uma visão assim, realmente me mostrou o quanto estou inseguro.


Breve edição: Com ''fé'', não fiz menção a nenhum tipo de crença religiosa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aniversário

Antes de mais nada, obrigado a todos que me deram parabéns por todos os meios de comunicação possíveis, hahahahaha, sério, fiquei muito feliz :D Podem ter certeza que vocês ganharam uma consideração especial :)


Mas falando um pouco sobre aniversário, hoje pensei que aniversário e Restart são as duas únicas coisas populares que animam as pessoas sendo que nada de interessante foi feito, hahaha =P

Aniversário brotou da medição de tempo que é totalmente artificial e imaginária. Mas ainda assim, as pessoas dão um valor muito grande pro aniversário. É o seu dia e ninguém pode tirá-lo de você. Hm.


Só isso por hoje, obrigado a todos que têm lido o blog.

nowplaying: Scorpions - Send Me An Angel

sábado, 31 de julho de 2010

Isolamento

A sensação de isolamento é algo que todos já sentiram. Alguns sentem isso raramente, outros vivem imersos nisso. Eu pertenço ao segundo.


As pessoas têm a falsa impressão de que alguém que é naturalmente isolado se acha melhor que as outras pessoas ou simplesmente não quer estar com outras pessoas. Mero engano.


Toda regra tem sua exceção, e de fato, algumas pessoas que se isolam têm essa postura que eu descrevi. Porém, a maioria não gosta muito das pessoas ou prefere ficar abaixo do radar mesmo. Algumas pessoas gostam de atrair a atenção e são naturalmente carismáticas. Outras preferem manter distância.


A falta de apoio é um dos melhores exemplos de isolamento, que, contraditoriamente, acontece de vez em quando com todas as pessoas. Inclusive com as carismáticas, que geralmente têm poucas pessoas de confiança.


Eu estou passando por um desses períodos. Tenho poucos amigos e culpo parte a mim mesmo e parte ao lugar que vivo por isso. Parte a mim por ser do tipo discreto, mas já me aceitei. Parte ao lugar que vivo por não encontrar muitas pessoas com quem eu tenha coisas em comum. Falo de gosto musical, de ideais e etc. Ontem tive uma conversa muito interessante com uma amiga, e é a primeira pessoa aqui que apontou algo que eu já havia percebido sobre o lugar e as pessoas que vivem aqui. Naquele curto tempo não me senti isolado.


Esse post termina aqui. Tentarei postar mais. :)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Personalidade

Quer falar sobre algo extremamente deturpado e distorcido? Então o assunto é ''personalidade''.

Dizem que cada um tem a sua. Não é de todo verdade. Cada um pode ter a sua. No entanto, muitas pessoas abrem mão de sua personalidade. Por que elas fazem isso? A única resposta que me vem à mente é: ''Intelecto reduzido''.

Por que abrir mão de ser você mesmo, de ser único, para seguir o que outros definiram?

A maior inimiga da personalidade é a moda. Um monte de conjuntos de idéias pré-definidas embaladas e prontas para vender. Falo da moda de forma geral. E o modo de produção capitalista é o patrocinador do estupro da personalidade. Propagandas na TV invadem nosso horário de jantar, nosso descanso durante o uso da internet, enquanto ouvimos rádio... Tudo isso somado a uma educação precária, tanto familiar quanto escolar, não desenvolve senso crítico das pessoas e tão pouco personalidade, já que estes estão relacionados.

Eu não teria nenhum problema com uma pessoa que gostasse, por exemplo, de Harry Potter, se ela tivesse o mínimo de senso crítico e personalidade, se isso não afetasse a vida dela de tal forma que a deixasse perturbada, como se aquilo fosse um semidivino. Ontem eu vi no Twitter algo assim: ''RT se a mulher dessa foto mudou a sua vida''. A mulher da foto em questão era a autora de Harry Potter. Eu já li livros incríveis com muito conteúdo que não chegaram a mudar minha vida da forma como esses fãs ou seguidores de modas retratam. Alguns contribuíram para o meu crescimento intelectual, e dessa forma mudaram algo em mim, mas nada tão dramático quando ''mudar minha vida''. Ainda mais algo sem conteúdo como Harry Potter. Nenhum tipo de livro ou filme do qual eu usufruí que tinha como objetivo apenas entreter, sem contribuir intelectualmente, mudou minha vida. Só posso lamentar por essas pessoas serem tão influenciáveis e vazias.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Por que?

Por que ''Limões Vermelhos''?

Por que você tem cabelo comprido?

Por que você não acredita?

A resposta: Porque eu tenho minha personalidade.


As perguntas são perigosas. E potencialmente construtivas. Pergunte, reflita, procure saber. Tenha a humildade de questionar o que você acredita e o que te cerca todos os dias. NÃO ACEITE o que te dizem. NUNCA ACEITE. SEMPRE, todas as vezes, REFLITA, procure saber. Não seja um papagaio que apenas repete.


Algo que vi muito na minha vida (principalmente na minha época de projeto de punk) são discursos feitos. As pessoas aprendem um discurso ou ensaio ideológico, adotam pra si, e o repetem como maneira de se justificar. Preciso exaltar o quanto isso é ridículo?


Eu, pelo menos, quando adotei o discurso, fiz minhas reflexões e o modifiquei para adaptá-lo ao meu modo de vida e às minhas idéias (até perceber o quanto vazio ele era e abandoná-lo).


A questão não é ter uma base. Óbvio, toda idéia precisa vir de algum lugar. Minha revolta vêm justamente da idéia vendida, da idéia sem reflexão.


Sabe quais são as diferenças entre alguém que você conheceu que morreu desconhecido e Galileu, Einstein, Marx, Newton, Colombo? Eles refletiram. Eles desafiaram o que todos acreditavam. E mais: Provaram estarem certos.


Então, todos os dias, ao se deparar com qualquer coisa, pense: ''Será que é assim mesmo? Pode ser diferente? Por que todos acham que é assim? Por que todos pensam dessa forma? E se eu não concordar com isso?'' Qualquer coisa mesmo. Por mais supérflua que possa ser ou parecer.


Pare. Olhe. Pense.

sábado, 3 de julho de 2010

Um novo começo

Pois é. Apaguei todos os posts que eu tinha nesse blog. Resolvi recomeçar. Acontece que eu não sou o tipo de pessoa que leva firmemente decisões assim. Eu não sou o tipo de pessoa que tem epifanias nem que segue com muita força de vontade uma decisão repentina, ainda que seja própria. Eu considero isso um dos meus defeitos mais graves.

Eu penso. Eu analiso, uso a razão, não a emoção. A emoção não me afeta com muita força (não confundam isso com insensibilidade, por favor). Talvez, se eu não tivesse idéias antimilitaristas e antipatriotistas tão fortes, eu seria perfeito para ser Oficial do Exército.

Há alguns anos eu me vejo numa posição delicada. A de mudar pelo meu próprio bem. Para me adequar a um sistema de vida o qual todo o mundo civilizado segue. E ele não me agrada. Eu não quero seguir esse sistema. Não quero estudar, acumular conhecimento inútil, passar numa prova que não avalia nada, poder estudar numa faculdade de alto nível, para poder ter uma vida confortável enquanto várias pessoas no mundo vivem com menos de dois dólares por dia. Essa idéia me dói profundamente. Seguir o sistema. Essa é uma das pouquíssimas coisas que realmente me sensibiliza.


Bom, meu ''recomeço'' fica por aqui. Acho que a minha personalidade é muito forte para que ele possa sair do blog. Então, mudarei o que eu puder, que por enquanto, só diz respeito à essa página...